sábado, 30 de dezembro de 2017

Mudar-se para outro país não é para todas as pessoas.

Minha esposa e eu usamos a frase do título quando conversamos sobre algum assunto relacionado à nossa experiência migratória. Não pensamos que imigrar é coisa para elites ou pessoas extraordinárias, o que queremos dizer é que mudar de país é uma decisão que demandará sacrifícios custosos que nem sempre serão fáceis de encarar.

Na cidade que vivemos morou o escritor Mark Twain, que genialmente disse “Todas as generalizações são falsas, incluindo esta”. Uma das primeiras coisas que desaprendi quando vim morar nos Estados Unidos é o hábito de generalizar. Quando escuto um imigrante falando “os americanos fazem isto...os gringos fazem assado” imediatamente penso “este ainda não aprendeu o bê-á-bá de viver nos Estados Unidos”. Aqui tem todo tipo de gente que faz todo tipo de coisas de maneira totalmente variada, porque a liberdade e a individualidade são o fundamento da sociedade. Quando abusamos das generalizações, na realidade estamos etiquetando de atacado coisas que não conhecemos no varejo.

Mudar de país é sair radicalmente da zona de conforto, é transportar-se para um local estranho e ver-se subitamente rodeado de gente desconhecida com hábitos diferentes aos que você está costumado. Se você não está disposto a encarar isto, então mudar de país possivelmente não seja conveniente para você.

No meu caso, eu tive a convicção pessoal por décadas que chegaria o momento de migrar aos Estados Unidos. Primeiramente mudei do meu país natal, Argentina, para o Brasil, onde aprendi o custo pessoal de ser um imigrante. Finalmente mudei para os Estados Unidos seguindo a convicção que desde jovem eu tinha quando morava em Buenos Aires.

Uma das regras de ouro do imigrante, que eu segui a risca e recomendo fortemente é a de respeitar as leis migratórias do país ao que você quer migrar. Migre legalmente.
Se você planeja quebrar a lei, você acrescentará uma dose cavalar de angústia e sobressaltos à experiência e possivelmente acabará mal. Se você acha que teu caso é especial então consulte um advogado de migração mas nunca quebre a lei.

Este artigo é para aqueles que decidiram mudar de país definitivamente.

Existem estágios durante a experiência do imigrante. A duração destes estágios varia para cada pessoa, mas contradizendo Mark Twain aqui vai minha generalização do que poderá viver um imigrante brasileiro nos Estados Unidos:

Etapa 1: O Célebre Turista.


Neste fase tudo é bonito, uma espécie de lua de mel. As paisagens, os passeios, os restaurantes e as compras trazem o tom festivo da experiência. A primeira visita ao Best Buy, o primeiro Black Friday, a primeira vez que o garçom entende o que você pediu para comer no restaurante, tirar a carteira de motorista e mostrar aos amigos das redes sociais.
Você é notícia para teus novos colegas da faculdade ou do trabalho. Muitos querem saber como é teu país, se você está gostando da mudança, em fim, você é a nova celebridade local. Tudo é alegria!

Etapa 2: Caiu a ficha.


De repente as compras e os passeios não surpreendem tanto. Você já se acostumou com o iPhone, a televisão de 55 polegadas e a janela causam a mesma impressão de mesmice e a balança acusa que você engordou 10 quilos da noite para o dia!

Um colega do trabalho, ou da faculdade, ficou irritado porque numa conversa você não conseguiu se comunicar de maneira aceitável e você percebeu que precisa melhorar teu Inglês.

Você distraidamente e sem querer estaciona o carro frente de um hidrante e meia hora mais tarde ao regressar ao carro vê um policial pondo uma multa no para-brisa do veiculo. Você corre para falar com o policial e tenta explicar que estacionou inadvertidamente. O policial se mostra inflexível e por você ter insistido nas desculpas, toma uma bronca de dar vergonha. O policial disse que você tem a opção de pagar a multa ou apelar no juizado, mas você, nervoso e com inglês um pouco capenga, entende que tem que ir ao fórum...a chateação do momento faz você se ver atrás das grades numa penitenciária de segurança máxima!

Quando retornou para casa com a multa no bolso, de orelhas caídas pelos contratempos, esbarra com alguém no corredor do prédio. Resulta que essa pessoa está indignada com a invasão de estrangeiros ilegais e quando você pede desculpas pelo esbarrão a pessoa solta os cachorros contra o governo e os imigrantes ilegais, mandando eles e você juntos se f##k no inferno! O gringo não quer saber de você explicando que você não é ilegal e deixa você falando sozinho. Acabou a lua de mel.

Etapa 3: A tormenta de saudades.


Um colega amistoso explicou que basta você pagar a multa pela Internet e tudo fica resolvido.
Esse colega amistoso lembra de um amigo teu lá longe no Brasil. “Os dois se parecem tanto!” você pensa comparando o colega amistoso americano ao amigo brasileiro. Na realidade não se parecem em nada, um é loiro de olhos azuis e o outro é moreno de cabelo encaracolado, em comum eles somente tem que são gentis e que nasceram no planeta terra, mas as saudades de casa mudam a percepção das coisas.

Na etapa das saudades, você está assentado na sala olhando o jornal da CBS na televisão 55 polegadas e lembra com carinho da televisão de tubo de 20 polegadas com o casal telejornal Fátima e William falando do campeonato brasileiro, e pensa “os americanos não sabem fazer jornal, olha para essa gringa de boca torta, a Fátima é muito mais elegante!”.

Durante esta fase, você vai na lanchonete e enquanto mastiga o hambúrguer duplo e bebe refrigerante a vontade (sim, o refrigerante é livre quando você compra um sanduíche com fritas por um par de dólares), a saudades de casa o faz lembrar do boteco do Severino onde serviam aquelas empadinhas de frango deliciosas muito melhores que este hambúrguer gringo. Nessa hora você não lembra da bactéria que pegou comendo os petiscos dos botecos que obrigou você fazer 2 endoscopias e tomar medicamento para matar a bicha!

Então você é visitado por todas as lembranças da infância, puberdade, adolescência e juventude.
As saudades passam Photoshop em todas as lembranças e você só recorda os doces momentos com suaves acordes de bossa nova como música de fundo. Você não lembra da umidade infernal, do calor insuportável, das chuvas apocalípticas e dos enxames de moscas. Você não lembra dos impostos abusivos, da corrupção correndo solta, dos engarrafamentos intermináveis no trânsito. Não! As saudades filtram tudo o que era ruim e apenas afloram imagens de um Brasil terra boa e gostosa da morena sestrosa de olhar indiscreto, ...que apenas existe na tua imaginação saudosa!
Este é o momento em que artistas como Caetano compuseram obras de arte inesquecíveis, enquanto estavam no exílio atacados por fortes saudades de casa.
As saudades embelezam as recordações. Não há nada errado com as saudades de casa, apenas tome cuidado que não o façam desistir da empreitada e tomar decisões das que você se arrependerá mais tarde. Nada pior que você voltar por uma ataque de saudades e de repente se encontrar no meio de um congestionamento de trânsito numa avenida brasileira pensando que desperdiçou a oportunidade de morar nos Estados Unidos, ou outro país, simplesmente porque as saudade de casa era muito grande e você jogou a toalha.

Etapa 4: A Revolução Nacionalista.


Possivelmente na juventude você ficava impaciente para o hino acabar logo na escola, afinal o hino era uma caretice chata!
Morando longe do Brasil, o hino o emocionará ao ponto de encher os olhos de lágrimas ao som do “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas” mesmo você não sabendo explicar direito o sentido da frase, como milhares de brasileiros. Mas vai chorar ouvindo o hino!
Na Amazon você vai comprar a camisa da seleção, a bandeira e a camisa to time do coração...e vai vestir a camisas da seleção canarinho ou do time todas as vezes que puder. Sim, você será o único no Wal-Mart vestindo a camisa do Corinthians, ou Flamengo ou do Inter. Talvez como eu, você tenha a sorte de achar algum mexicano aficionado ao futebol que reconheça as cores da camisa e puxe conversa contigo em Espanhol. Sucedeu comigo no Wal-Mart um dia em que eu vestia orgulhoso minha camisa do Corinthians, salve o Timão, salve e salve.
Depois você vai pensar...espera ai, eu não sou mexicano...eu sou Brasileiro!
Então outra ficha vai cair na tua cabeça: desde o primeiro dia nos Estados Unidos você foi classificado como Hispano ou Latino pela grande maioria dos estranhos que passaram ao teu lado. E você se achava uma celebridade exótica! Simplesmente você é mais um dos milhões de latinos nos Estados Unidos, alguns deles com fama duvidosa.

Assim que esta ficha cair, a missão da tua vida será provar para todos os americanos que puder que Brasileiro não é Hispano, que o sistema classificatório americano está errado (você acha...), portanto quando requerido ou não, Brasileiro tem o dever de se declarar pertencer à etnia “Outros povos” ao preencher formulários oficiais, porque você insistirá até a morte que Brasileiro não é Hispano e que não é Latino também, a classificação certa do Brasileiro é Brasileiro!

Você verá se erguer um gigante verde e amarelo dentro de você. Vai ouvir música brasileira manhã, tarde e noite. Vai tocar xaxado, xote, samba, sambão, samba gafieira, samba de roda, bossa nova e até a mesmíssima Joelma e sua banda Calypso para reafirmar teu brasileirismo! Coisas que você nunca gostou de ouvir agora escutará, cantará e bailará mesmo que nunca tenha gostado de dançar!

Na saudade brava, você assistirá todos os filmes brasileiros que achar no Netflix e na Amazon...e aceitará pagar numa boa sessenta dólares mensais num contrato de 2 anos para assistir a Rede Globo! A mesma que você odiava no Brasil...

Ficará tão nacionalista, que somente outro Brasileiro aguentará ficar perto de você, então você buscará a comunidade Brasileira em tua cidade como um dissidente do nazismo procurava a resistência francesa!

Etapa 5: Unindo-se ao gueto brasileiro.


Na gana de recriar o Brasil, você se verá relacionado com um grupo de brasileiros, alguns bons, alguns mais ou menos e outros melhor perder que encontrar, mas a saudade e o nacionalismo exacerbado ajudará você a aceitar todos os patrícios mesmo que alguns sejam mal caráter...pessoas que você nunca aceitaria no teu círculo de amizades no Brasil agora talvez você veja como teus irmãos da pátria...até que alguma canalhice os separe.

A maioria das comunidades de estrangeiros nos Estados Unidos reage da mesma maneira, por isso você verá mexicanos só andando com mexicanos, indianos com indianos, etc. O problema não está totalmente do lado americano, os estrangeiros às vezes ficam na fase gueto por longo tempo, às vezes para sempre, lamentavelmente.

Se você for uma pessoa emocionalmente saudável, um dia vai perceber que ficando só com brasileiros está perdendo a oportunidade de misturar-se com o povo americano e conhecer alguns bons, alguns mais ou menos e outros melhor perder que encontrar...então uma voz interior vai dizer “tem gente boa e ruim em todos os povos do mundo, esqueça as barreiras e abra o coração para as coisas novas que a providência preparou para você nesta nova terra”.

Então você poderá finalmente conhecer e assimilar as coisas boas que o novo país tem a oferecer e certamente você poderá compartilhar as coisas boas que você trouxe do Brasil. Todos sairão ganhando.

Aprenda Inglês incessantemente, adapte-se, tenha um coração generoso com aqueles que abriram as portas do país deles para comparti-lo contigo.


Epilogo: 


Estas observações valem também para os estrangeiros que desejam morar no Brasil.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Churrasco Segundo Darwin

O estudioso Charles Darwin afirmou que os especies estão evoluindo desde sempre e teve a audácia de afirmar que o homem é descendente do macaco. Eu renego veementemente esta afirmação, porém devo admitir que a teoria darwiniana é comprovada numa das mais nobres atividades humanas: o churrasco.

O Homo-Assadoris-Pampeiro e as origens ancestrais do churrasco.

Eu nasci nos pampas argentinos e como bom argentino acreditava que foi lá que nasceu o churrasco.
Originalmente se chamava “asado” (pronuncia-se assado). A vaca era morta a facão, o couro servia para fazer botas e “rastras” (um cinto muito macho que servia para segurar as calças e o facão). Com o sangue se fazia morcilla (pronuncia-se morcilha), uma lingüiça preta que só gáucho (e não gaúcho) come. Com o chifre se fazia o cabo do facão (o mesmo que se usava para matar a vaca). A caveira sem chifre servia de banquinho para beber cimarrão e comer churrasco assentado.
A carne da vaca, toda, miúdos inclusos, era assada na parrilla (pronuncia-se parrilha). A parrilla era a ferragem do arado, que servia de grelha quando a mulher do gáucho não estava arando, porque o gáucho não arava, ele só matava e comia vacas na íntegra. Na cabeça do gáucho, arar é tarefa de mulher e o churrasco é coisa de gáucho macho. Com o churrasco bebia vinho tinto enquanto ouvia-se milongas campeiras e zamba com Z.



O Homo-Espetus-Paulista, a primeira evolução do churrasco

Eu arranquei as pilchas de gáucho argentino e fui morar na Paulicéia Desvairada, nome mítico da cidade de São Paulo, a verdadeira capital do Brasil. Lá eu evolui e vesti a camisa do Corínthians.
A vaca evoluiu também. Alem de tudo o que a vaca sempre teve nos pampas, esta nova vaca tinha “cupim”. Segundo Darwin trataria-se de uma evolução que permite à vaca passar horas sem beber, igual ao camelo. Nos pampas a vaca era plana nas costas feito uma tábua, no planalto paulista a vaca tem essa deliciosa protuberância que lembra o Pão de Açúcar. É o zebú, a vaca brasileira.
Em lugar da grelha do arado a evolução churrascal me fez usar o Espeto. Uma espécie de sabre cego onde espetamos o cupim e a picanha. A picanha é a estrela do churrasco. A carne é salgada no sal grosso. Em lugar do vinho tinto bebe-se cerveja pilsen no calor e bock no frio. As mulheres comem a salada, o arroz e a farofa com um pedacinho de carne muito bem assada quase queimada, seca que nem sola de sapato. Elas não usam mais o arado, trocaram pela chapinha. Os homem comem picanha sanguinolenta (mal passada), cupim crocante e litros de suco gelado de cevada enquanto ouve-se samba com S, uma música muito mais animada, reconheço.

O Homo-Barbacue

A vaca foi pro brejo. Quero dizer, a vaca foi para o processamento industrial e virou hamburger.
Nunca mais vi uma vaca zebú no pasto, nem couro nem chifre. O recheio da vaca vira hamburger assim que faz seu primeiro “muuu”. O restante da vaca vai para a China e vira sofá, puff, jaqueta Harley-Davidson e chicote para loja de produtos eróticos.
A churrasqueira não lembra nada à grelha de arado ou ao espeto. Parece mais com o capacete do Darth Vader. O carvão é produzido a partir do reaproveitamento das usinas de aço. A idéia original do Henry Ford I, que vendia as sobras do carvão da metalúrgica para fazer caixa quando ele ainda era pobre.
A ignição do carvão é feita com um combustível que não cheira porém que pega fogo feito Napalm. Acho que este álcool é uma evolução das bombas usadas no Vietnã.
Come-se com aros de cebolas fritas fabricados pela Helloggs e bebe-se Pepsi diet descafeinada com muito gelo. A música é rock feito no computador.

As vantagens da evolução

Claro que um gáucho dos pampas iniciado na picanha no espeto não entrega os pontos fácil.
Compramos picanha de um açougueiro de Davenport que topou aprender o corte, custa $ 20 a peça. Jorge Meinhardt, um gaúcho que sabe das coisas, ensinou ao gringo a cortar picanha!
Compramos vinho tinto espanhol de primeira qualidade no Aldi, uma rede alemã que vende a garrafa do elixir por $ 7 dólares cada.
Cerveja tem de todo tipo, cor, gosto e tamanho. Eu raramente bebo cerveja.
O carvão do Henry Ford não faz faísca como o carvão tradicional portanto não tem camisetas furadas e dá à carne o bom sabor do carvão.




O álcool não deixa cheiro nem altera o sabor da carne e o carvão vira braças em menos de 5 minutos.

A churrasqueira a la Darth Vader funciona muito bem, com ¼ do saco de carvão dá para assar carne para 20 pessoas, é super fácil de limpar e custa $ 40 dólares, portanto barata para estas bandas.
Tem dias que faço churrasco ouvindo samba, outros bossa nova, outros tango, e de vez em quando rock feito nos anos 70, aquele era bom mesmo. Mas o que vale a pena ouvir são os elogios da família e dos amigos.
Ah! Esquecia dizer que os norte-americanos tem uma bela tradição de churrasco chamado “barbacue”, diferente do nosso más muito bom também. Isto contarei em outro post.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Bom Bril na Terra do Pato Donald

A medida que passa o tempo, as diferenças entre Brasil e o meio-oeste Americano vão desaparecendo. Na verdade quem vai mudando com o passar do tempo sou eu, porque estou adaptando-me a esta sociedade e as a maioria das coisas deixam de ser “novidade” para tornar-se “normais”.

Minha amada esposa é uma excelentedona de casa no tempo livre dela, porque ela americanizou um pouco também e trabalha como a maioria das mulheres norteamericanas.
Mas há habitos brasileiros que são difíceis de abandonar, especialmente para uma dama prendada como ela. Um destes hábitos é usar “Bom Bril”.

Acredite se quiser, nos Estados Unidos não há “Bom Bril”.
É um produto tão raro de achar como é raro de achar uma dona de casa americana 100% dedicada a cuidar do lar.
Algumas delas sofrem por não poder dedicar-se mais ao lar.

Minha amada esposa aproveitou a viagem ao Brasil que um amigo fez e pediu trazer “Bom Bril” da terra onde as donas de casa ainda praticam a arte de arear panelas.

Para que você quer Bom Bril?” Perguntei para minha esposa.
“Para arear panelas”, ela respondeu e eu quase desmaiei.

O verbo “arear” deriva da palavra areia.
Antigamente se limpava o fundo de tachos e panelas com sabão de corda e areia, para raspar os restos da gororoba grudada na panela de aço.
Portanto “arear” significa usar areia para esmerilar e facilitar a esfregada do fundo da panela.

Faz muitos anos que os americanos deixaram de usar areia para raspar panelas. Eles agora usam a areia para procurar silicio e fabricar micro-processadores.

Mas eu acho que “Bom Bril” não é coisa de brasileiros.As Argentinas
também usam “Virulana” para arear panelas.
Possivelmente o “Bom Bril”, como o doce leite e o chimarrãosejam inventos argentinos, mas eu vou deixar este assunto de lado para evitar atritos internacionais. Os "hermanos" emplacaram um Papa e uma Rainha europeia, portanto não precisam levar os créditos da criação do Bom Bril.


Nos anos 80, eu sabía de dois usos básicos do “Bom Bril”:

1) Arear as panelas para minha esposa

2) Aprimorar a recepção das ondas televisivas enrolando um chumaço de “Bom Bril” no extremo das
antenas da TV.



A antena original já era feia por natureza. Com aqueles chumaços de “Bom Bril” pendurando dos extremos então era horripilante! Parecía um robô de “Maria Chiquinha”!

Para piorar a imagem que eu tinha do “Bom Bril” apareceu o garoto propaganda interpretado pelo ator Carlos Moreno. Eu não tenho nada contra o ator, mas tenho tudocontra o “Bom Bril”!

Nada pior que no domingo, depois de almoçar uma maravilhosa raviolada, ter que arear uma panela de açocom “Bom Bril”!

Também nada pior que assistir uma partida de futebol com 44 jogadores e dois árbitros, porque o maldito do “Bom Bril” longe de aprimorar, duplicava as imagens da TV preto e branco.

Na minha TV, graças ao “Bom Bril” eu via dois “Biro-Biro”, e o time do Corinthians jogava com 22 jogadores!

E quando eu esquecía do “Bom Bril”, ao assistir o “Jornal Nacional” narrado pelo Cid Moreira e Sérgio Chapelin, aparecia a propaganda do garoto “Bom bril” Carlos Moreno para recordar-me da existência daquela lã sinistra!

Nos Estados Unidos em vez de “Bom Bril” se usa produto cremoso chamado Weiman que você espalha na crosta do fundo da panela, espera 5 minutos e – voilá! - a crosta desaparece sem esfregar, sem “arear”, sem “Bom Bril”!

O fato é que o creminho branco Weiman me salvou muitas vezes de “arear a panela” com o Bom Bril que nosso amigo trouxe do Brasil.

Um dia acordei com saudades da terra natal e fiz empanadas argentinas.
As empanadas são mais um invento argentino que os mexicanos, ecuatorianos, peruanos, uruguiaios, chilenos, paraguaios e brasileiros copiaram da terra do tango.
As empanadas argentinas são um tipo de pastel assado ao forno, recheado com carne moida temperada ou presunto e queijo ou creme de milho. Pode ser frito.

Na hora de arrumar a cozinha, percebi que na assadeira usada para assar as empanadas ficaram umas crostinhas de massa assada. Eu confiadamente espalhei o produto americano na assadeira e esperei dez minutos. Passei a esponja...e nada de limpar. As crostinhas estavam firmes como a cordilheira dos Andes. Espalhei mais do produto americano, e esperei meia hora...e nada!...As crostinhas continuaram grudadas ignorando o poder da modernidade americana.

Minha esposa olhou para a assadeira e disse: “Passa Bom Bril, que sai”.

Somente eu ouvi as gargalhadas do saquinhos de Bom Bril enquanto eu “areava” a assadeira arrancando as crostas de massa assada...As gargalhadas soavam na voz do Carlos Moreno!

Toda vez que abro uma das portas do armario, tem pacotes de “Bom Bril” para lembrar-me daqueles anos passados. Anos que deixaram boas saudades, não do uso do “Bom Bril”, mas do meu cabelo 100% naturalmente preto, das crianças brincando no quintal dos bisavós, da família e dos amigos.


Afinal o Bom Bril acabou trazendo boas lembranças...













sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O PRIMEIRO DIVÓRCIO GAY DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE


A jovem mulher deu o último suspiro na cama rodeada dos seres queridos e morreu.
A mãe chorava inconsolavelmente. Alguns amigos choravam, outros cochichavam entre eles.

O corpo debilitado da jovem mulher, agora inerte, não resistiu às infeções oportunistas e entrou em colapso geral.
Esta é uma cena muito comum nalguns hospitais brasileiros, onde milhares de pacientes de AIDS lutam por sobreviver e acabam morrendo sem glória nem honra.

Não era o caso desta moça jovem. Morreu honrada e glorificada pela imprensa nacional, pelos grupos de direitos humanos, pela todo-poderosa rede de televisão, pela Internet, por muitos artistas, pelos travestis e por todos os que participam, apoiam ou simpatizam com a causa gay.

Ela era a primeira divorciada dum casamento gay no mundo. Uma dupla vitória segundo o olhar dos progressistas. Ela tinha casado de papel passado em cartório com outra mulher, e depois de aguentar inúmeras infidelidades conjugais e violência doméstica, se divorciou tornando-se a primeira divorciada de casamento gay do planeta. Ela tinha 34 anos apenas.

A mídia fala pouco das doenças sexualmente transmissíveis entre lésbicas. Aliás a mídia quase não fala dos problemas de saúde dos homossexuais, faz de conta que as doenças não existem. O quadro muda quando conversamos com os médicos, a enfermagem, os assistentes sociais, os padres e os pastores que atendem aos doentes. Mas ninguém faz marketing com o que estes heróis anônimos sabem.

Desde a adolescência, esta mulher sofreu várias infeções sexualmente transmissíveis sem ser uma prostituta, era apenas uma jovem lésbica segundo o padrão das telenovelas e dos filmes brasileiros: uma lésbica normal.

Ela teve clamídia, herpes e gonorreia varias vezes.
Com o sistema imunológico enfraquecido, pegou HIV dalguma maneira que as estatísticas insistem em ignorar, e depois de muita luta, morreu com o nome publicado em todos os jornais nacionais e internacionais. Fizeram dela uma nova Joana d'Arc, uma invenção maluca dos marqueteiros que conseguiram associar à a pequena pastora de Domrémy com a primeira lésbica divorciada do mundo, não sei como. E as massas, como quase sempre, acreditaram.

Não é novidade o que aconteceu na sociedade por causa da sua morte: missas, minutos de silêncio, passeatas solidárias e palestras recordavam à jovem mártir, a primeira divorciada lésbica do planeta, uma brasileira.

Mais uma ONG foi criada, para apoiar as vítimas da violência doméstica nos matrimônios gay. É dizer, nada mudou depois da legalização. Para dizer verdade, o orçamento público ficou mais caro para pagar as novas delegacias especializadas em violência doméstica gay. O número de divórcios gay aumentou consideravelmente depois do caso de nossa nova heroína.

Depois de “desencarnar”, como dizem alguns brasileiros, ela entrou num túnel escuro, sem sentir as constantes dores vaginais por causa da clamídia nem as terríveis enxaquecas pela febre alta da AIDS.
Ela se surpreendeu ao perceber que continuava com vida consciente depois de morrer.

Ela caminhou no famoso túnel escuro sentindo um som grave, compassado, como o da batida rítmica da música duma discoteca. Punch-punch-punch!

A medida que ela caminhava em direção à luz no fim do túnel, o som “disco” era mais intenso, ressoando no chão e nas paredes. Era muito semelhante ao som que se ouve na entrada das boates que frequentava na região próxima à avenida Paulista.

O som rítmico e grave de balada lhe deu certa tranquilidade. Sorriu e pensou “deve ser o Paraíso gay, uma eterna balada ao som da música eletrônica. Nada mal!”.

A luz no fim do túnel mudava de tons em fagulhas azuis, fúcias e vermelhas que se alternavam, como as luzes “laser” das boates. “Que bom!” ela disse para si mesma. E andou mais rapidamente para entrar logo na festa enquanto ouvia certa gritaria que lembrava as vozes festivas das pistas de dança. Se sentiu animada e pensou: “Olha só! Se soubesse que era assim, teria vindo antes!” sentindo aquele entusiasmo que invadia seu coração indo para as baladas da cidade.

A medida que ela caminhava, o volume da batida grave era mais intensa e as os feixes das luzes eram mais brilhantes.

De repente aparece a silhueta dum homem vestido de preto, parado no fim do túnel. “Deve ser o leão de chacra” pensou ela lembrando daqueles porteiros vestidos de preto que ficam parados nas portas de entrada das baladas, para selecionar o público que desejava entrar na boite.

Ela nunca foi barrada nas baladas. Ela vestia a roupa da moda, os decotes exagerados, as minissaias, o cabelo arrumado. Ela não era o tipo de lésbica masculinizada. O visual de modelo sexy sempre lhe garantia o acesso nas melhores baladas da cidade. Não seria agora que seria barrada nesta grande balada eterna! “Eu mereço” disse para si mesma pronta para enfrentar orgulhosa ao guardião da porta.

E não foi barrada.

Assim ela que se aproximou do porteiro, vieram outros três guardiões vestidos de preto, e os quatro a seguraram pelas pernas e os braços. Ela não conseguiu se safar deles e logo percebeu que algo estava errado.


O guardião vestido de preto tomou um tablet e digitou algo na tela.
-Vejamos teu processo, moça. - disse enquanto ela percebeu que era inútil tentar se soltar dos outros guardiões.

Ela gritou: Eu já sei porque estou aqui, seu monstro!- ela gritou – Eu vim aqui de castigo porque seu lésbica e Deus odeia os gays!” - completou muito irada.

O guardião seguiu lendo a tela do tablet. O brilho da tela iluminava o rosto dele, que não era humano ainda que tinha certa semelhança. Os olhos brilhavam enquanto lia a sentença, então disse:


-Não é o que disse aqui. Sua conduta sexual não consta nos autos como causa principal, aliás nem consta na primeira parte, talvez conste nos anexos, mas eu não tenho tempo nem paciência de ler sua biografia. Tua conduta sexual é uma consequência de tua relação com Deus. Segundo os autos, você está aqui porque odeia Deus, porque ignorou o chamado dEle, porque sempre achou que o voz do Espirito Santo era coisa de sua cabeça...deixa ver que mais...porque acreditou firmemente que os impulsos de arrependimento eram uma sequela da educação repressiva...deixa ver, Deus escreveu aqui que você odiava orar e louvar, algo que se fosse ao Paraíso deveria fazer o tempo todo, Deus disse que não vai obrigar você a viver a eternidade orando e louvando...Bom, o resto são crimes menores...moça, você entrou numa fria ignorando ao único que podia livrar-te desta, agora é tarde. Ao forno com ela! - ordenou o guardião, que evidentemente tinha autoridade sobre os outros guardas, virou-se e desapareceu andando entre os sombras daquele lugar com o tablet debaixo do braço.


Como naquela brincadeira de lançar a pessoa na piscina, os quatro guardas de preto, rindo às gargalhadas, a seguraram fortemente, a balançando-a, a arremessaram longe, para o centro daquele imenso salão.

Ela voou e caiu dando um alarido, que se perdeu no som ensurdecedor daquele lugar.

O som grave das batidas não era de música, era o som dos corações múltiplos de uns vermes gigantes que nunca morrem, entrelaçados numa infinidade de corpos humanos lançados naquele lugar. Era uma sopa macabra de vermes e gente.

As luzes psicodélicas eram das chamas que flamejavam vindas de baixo dos vermes, as faíscas e as explosões eram por causa dos corpos humanos que inexplicavelmente continuavam vivos e que nunca se terminavam de consumir num fogo que nunca cessava.

Os quatro guardiões vestidos de preto não eram homens, eram demônios, aqueles que ela sempre negou a existência durante sua vida mortal. Agora era tarde reconhecer que tudo aquilo que a Bíblia dizía era verdade.

Na superfície da terra, as igrejas fechavam as portas por falta de crentes. Os congressos dos países do mundo festejavam as novas leis que mergulhavam a humanidade numa era de confusão sem precedentes na história da humanidade.

O Céu chorou por mais uma alma perdida. Deus tinha planos melhores para ela. Infelizmente ela ignorou ao criador.

Jesus Cristo disse:

“Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar. E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga. Porque cada um será salgado com fogo. Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós mesmos, e guardai a paz uns com os outros. Marcos 9:42-50.

(Este conto é ficção. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Os fatos relatados não aconteceram e são fruto de licença literária).

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aberta a temporada de caça aos veados!

Antes que comece a nevar, muitas cidades e estradas norte-americanas tem
manadas de veados indo e vindo. Eles andam em bandos pequenos de 3 a 5 bichos. Eles estão à procura de comida porque a vegetação está seca e rala e os campos de milho sem espigas após a colheita.
A veadagem à procura de comida atravessa estradas, ruas, invadem quintais, jardins sem a menor cerimonia. Atravessam as estradas com carros e caminhões a 65 milhas por hora causando acidentes às vezes graves. Por isso as prefeituras municipais dão a voz de comando: A Caça aos veados está liberada!
Então aparecem os caçadores que durante meses ficaram segurando a vontade, feito um bando de tarados atrás dos bâmbis (os veados claro).
Os caçadores usam rifles com mira infra-vermelha, espingardas, revolveres ou pistolas. Um colega meu, irlandês e careca, tem 70 armas em casa. Se falha uma, tem mais 69. Para ele “69” não lembra a mesma coisa que talvez lembre para você. Para ele é o número de armas de reserva se a preferida falhar.
Escondidos na mata, vestem roupas camufladas e ficam “quase” parecidos com os comandos especiais dos filmes. Eu digo “quase” porque muitos deles tem uma barriga enorme. Parecem o Nhonho do Chaves vestidos de Rambo.
Os bâmbis mais folgados entram nas cidades, dificultando a caça. Ainda que muita gente tem armas em casa, dentro das cidades não é permitido atirar. A lei municipal é muito clara: só pode caçar bâmbis na cidade usando arco e flecha. Os caras atacam de Robin Hood.
O Wal-mart vende tudo, desde arcos e flechas, balas, roupa camuflada e até tocaias, na seção perto da lingerie feminina. Sutiãs, calcinhas, munição e binóculos ficam quase misturados nos corredores do supermercado. Será há uma mensagem subliminar que fala aos consumidores ”Se você não pode nhá-nhá então vai caçar!”?
Porque há tantos caras vestidos de Rambo animados para dar tiros e flechadas nos pobres bâmbis famintos? Será porque aqui não tem praias? Será porque os shoppings são todos iguais? Será que porque não tem paquera? Porque não tem pagode-de-mesa, nem pelada com churrasquinho? Será porque não tem beleza feminina como tem o Brasil? Seria por isto que a rapazada não achando coisa melhor para fazer, se veste de rambo e sai dando tiros nos bâmbis? Seriam eles atiçados pela propaganda subliminal do Wal-Mart, associando a caça com a lingerie feminina?
Os veados causam muitos acidentes nas estradas.
Os veados tem a péssima idéia de ficar parados, congelado de medo, frente aos carros em alta velocidade nas estradas. A batida pode ser tão prejudicial como bater num poste.
Como ainda não é permitido atirar neles desde os carros em movimento feito um safári, inventaram uns apitos para ser acoplados no pára-choques do carro.
Quando o veiculo está andando, os apitos emitem um som que somente os veados escutam.
Esse som tem uma freqüência inaudível para os humanos e faz os veados fugir da frente do carro. As propagandas dos fabricantes juram que estes apitos funcionam. Se os veados escutam os apitos, somente Deus e os veados sabem. Nenhum deles se pronunciou a este respeito.
Nesta época tem muitos veados mortos às beiras das estradas.
Os caçadores além de se acalmar atirando, diminuem a população de bâmbis e o risco que eles trazem.
Há açougues que cortam a carne de veado. Fazem salame de veado, uma espécie de pepperoni de sabor suave. Já o experimentei e achei muito bom. Mas não acho uma boa idéia servir salame de veado numa festa de aniversário infantil onde o motivo da decoração seja o “Bâmbi” da Disney.
A foto da direita mostra veados passando pelos fundos do terreno da minha casa numa manhã.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Aula Magna de Doce de Leite


Depois de 54 verões, se alguma coisa aprendi na vida, uma delas é reconhecer um bom doce de leite.

Primeiramente porque eu nasci na terra onde o doce de leite foi inventado, daqui a pouco volto no tema do descobrimento do doce de leite. Brasileiro, não se bloqueie, segue lendo com tua inata alegria.

Voltando ao tema central, quero compartilhar que recebi de presente um dos melhores, se não o melhor doce de leite que experimentei nestes 54 ciclos de translação da Terra..

O doce é tão bom, que não me dá vontade de escovar os dentes depois de degustá-lo! Meu dentista vai sorrir lendo isto, ele acaba de trocar o carro e meus dentes podem ajudar a pagar as mensalidades do carro dele. Mas eu prefiro prolongar o sabor equilibradamente doce desta iguaria importada da Argentina.

Primeiramente agradeço a minha prima Izilda, que na realidade é minha tia, porém quem a conhece jamais diria que ela é minha tia. Eu mais pareço ser o tio da Izilda do que Izilda parece ser minha tia. Além do parentesco, temos em comum o gosto pela boa mesa. Izilda é uma gourmet, e agora é a primeira brasileira que me ajudou a confirmar a superioridade indiscutível do doce de leite argentino. Obrigado Izilda pelo presente!...desculpe Izilda por colocá-la neste conflito doce-leiteiro entre argentinos e brasileiros.

Como reconhecer a qualidade do doce de leite:

Se você resiste em aceitar que o rótulo “Hecho em Argentina” é motivo suficiente para reconhecer a superioridade do doce de leite dos hermanos do Sul, então vou compartilhar com você como reconhecer um bom doce de leite:

1. Faça um bochecho com agua mineral “Perrier” ou “Evian” sem gás. Tudo bem! Pode ser água mineral Lindoia, vai!

2. Relaxe. Uma vez que você percebe que seu paladar está equilibrado, calmo, nem muito umido (babento!) nem muito seco e sua língua está tranquila, relaxada, com as papilas alegres e dispostas, então abre o vidro do doce de leite com muito cuidado, sem movimentos bruscos para não alterar o equilibrio molecular do doce.

2. Tome uma colher de sobremesa, feita de metal. Evite usar uma colher feita de lata barata. Se puder, use uma colher de aço inox ou de prata de lei. Nunca use o dedo!

4. Com muito carinho e devagar, introduza gentilmente a colher no doce de leite, sem pressa nem desespero. Faça isto sorrindo, com gratidão no coração. Um bom gourmet não come feito um desesperado morto de fome!

5. Retire a colher e antes de introduzi-la na sua boca observe o doce de leite na colher.
Se ele é da cor marrom aveludado, uniforme, levemente brilhante, que lembra a textura de uma pérola, e ao mesmo tempo causa um aumento da saliva no seu paladar, então você está perante um elixir gastronómico.

6. Não se apresse, deixe que seus sentidos fiquem absorvidos pela imagem do morrinho arredondado, de linhas suaves, do doce de leite na colher. Desfrute o mamífero que vive dentro de você.

7. Uma vez que o doce de leite está na sua boca, perceberá que é suave, cremoso, que não irrita por excesso de doçura nem decepciona pela falta dela.

O melhor doce de leite do planeta!
8. Depois de saborear a primeira colher, você desejará comer a segunda, a terceira, a quarta colher, sem enjoar, sem peso de consciência, sem caries doendo pelo excesso de doce.

9. Você, então embriagado pelo sabor do doce, leia o rótulo e certamente se deparará com a marca “La Salamandra”. Você estará tão deliciado, que ao ler “Hecho em Argentina”, sorrirá e nem lembrará do último jogo quando Brasil perdeu de 4 a 3. 
Você não sentirá raiva do Messi nem se importará de ouvir que ele é o melhor jogador do mundo pelo terceiro ano consecutivo. Alias, você, meu querido brasileiro, guardará doce de leite sob sete chaves e sairá andando feliz, assobiando La Cumparsita.


Como reconhecer um mau doce de leite:

Geralmente tem a cor beige ou marrom clara, não brilha, é opaco, parece aquela massinha de modelar que as crianças brincam.

É grudento, como aqueles horrorosos aprendizes de conquistadores, que as moças fogem deles como o diabo foge da cruz.

É duro. Precisa cravar a colher com força, como se fosse o coração de um vampiro velho!
Uma vez que você enterrou a colher no doce de leite ruim, tem que fazer uma força danada para retirar a colher atolada. Geralmente entorta o cabo da colher. Melhor usar uma colher de pedreiro, aquelas de aço de 3 milimetros. Doce de leite ruim é coisa de força bruta.

Uma vez que você põe o doce de leite ruim na boca, dispara o alarme geral no organismo. O sangue tenta rejeitar a sobrecarga de açúcar. Os dentes frontais lutam para desgrudar o doce de leite ruim da colher com o cabo entortado, e depois lutam em dobro para desgrudar o doce de leite deles próprios. Os molares ficam arrepiados mordendo as pedrinhas de açúcar não dissolvida que lembra a areia grossa da praia do Boqueirão!

Ninguém consegue comer mais do que uma colherada de doce de leite ruim, a menos que esteja sofrendo uma profunda depressão ou participando de algum programa bizarro da televisão, como aqueles que abundam na TV americana.


Saiba como foi o Descobrimento do Doce de Leite

Serios historiadores relatam que o ditador argentino Juan Manuel de Rosas costumava tomar :chimarrão de leite adocicada enquanto descansava na sua fazenda, pensando nas milhares de cabeças de boi que tinha, e nos índios que precisava matar para rouba-lhes as pastagens.

Chimarrão de ditador argentino


O primo Juan Lavalle
Rosas tinha um adversário político chamado Lavalle, que também era primo dele. 

Juan Manuel de Rosas
Lá em 1829, eles marcaram um encontro na fazenda de propriedade do Rosas para fazer negociatas. Lavalle chegou antes do horário marcado, e cansado tirou um cochilo na cama do Rosas. 

A mucama de Rosas ficou apavorada ao ver o primo do Juan Manuel de Rosas na cama do patrão, e esqueceu de tirar o leite adoçado do fogão. 


Aquele leite “cozido” no fogo, originalmente destinado para fazer o chimarrão do manda-chuva, virou o primeiro doce de leite da história da humanidade.


O "Doce de Leite Americano"



Os americanos inventaram um doce chamado de Caramel, feito a base de xarope de milho transgênico.

Nem precisaria dizer que o doce de leite ruim quebra-dentes é muito melhor que esta engenhoca química criada pelos americanos.

Que Deus salve o planeta da criatividade gastronómica dos americanos!












sábado, 10 de março de 2012

Pernas magrelas

A sabedoria portuguesa acunhou esta frase “O hábito faz o monge”, e eu preciso fazer uma pequena adaptação para meu texto: “O hábito faz as pernas”.

Eu tenho que escrever isto antes que desapareça do meu olhar de forasteiro. Como vocês sabem, aos poucos vamos acostumando com as coisas e depois de um tempo elas ficam “normais” pelo feitiço da rotina.

Uma coisa que me chamou muito a atenção deste povo: a magreza de suas pernas.
Acostumado a ver as pernas brasileiras (digo as pernas das brasileiras e dos brasileiros), em geral bem formadas, fortes, robustas, quando olho para as pernas do pessoal daqui, me parecem pernas de passarinho magro e famélico.

Não querendo ser sexista, quando você observa as pernas das brasileiras em geral, bem torneadas, destacadas quando usam sapatos de salto, firmes, muitas delas belas.
Quando você observa as pernas dos homens percebe que são musculosas, firmes e fortes.

Um par de belas pernas como as de Ivete Sangalo, por exemplo, tem matéria prima para pernas de quatro americanas. Com duas faz oito!

Pernas da Ivete Sangalo:










Pernas da Angelina Jolie:









"Perna é perna"


Agora o mais curioso: os homens daqui não acostumam ter pensamentos eróticos baseados nas pernas femininas! Eles dizem que pernas são apenas pernas. Olhando para as pernas locais...até entendo.

Se você acha que estou exagerando, comece a reparar nas pernas das atrizes e atores dos seriados e filmes norte-americanos. Você vai ver que a câmera evita mostrar as pernas, e quando mostra, cruz-credo! Da vontade de mandar à turma beber Biotônico Fontoura com ovos de pata!

EU me perguntei: porque será que tanta gente aqui tem as pernas magrinhas, mirradas, tortinhas, que parecem que vão quebrar a qualquer momento?

As pouquíssimas mulheres que usam sapato de salto, parecem garças, tropicando quase caindo.
Os homens tem perna magra, pês tortos. Todos eles caminham estranhamente, caminham sem familiaridade com a caminhada...caminham mostrando a falta de prática.

Aqui quase não há calçadas. É raro ver gente caminhando pelas ruas. O terreno é plano, sem morros para subir e descer. Não há samba para sambar, nem ladeiras para subir, nem calçadões para passear, nem 3 pedais nos carros, a maioria são automáticos, portanto as pernas não fazem esforços, ai ficam magrinhas, tímidas, fininhas, sem coxas quase. As batatas da perna parecem batatinhas Pringles, fininhas! Em nada parecidas a aquelas batatas musculosas do Brasil brasileiro.

Eu apenas estou falando sobre observações feitas numa pequena região do Meio Oeste, e naturalmente falando acerca de um país de mais de 300 milhões de pessoas, deve ter honrosas excepções. Basta observar com mais detalhe, mas observar muito traz certo tipo de problemas que eu prefiro não ter.

Além do mais, o povo daqui é tão simpático, que perna a mais, perna a menos, não faz a menor diferença. Somos todos criaturas do Criador.

De pernas magras eu entendo...olha as minhas!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O prático hambúguer Norte-Americano

Os americanos são práticos, objetivos e diretos.
Não tem enrolação, nem nhem-nhem-nhem.

Por isso inventaram o hambúrguer, que tem tudo o que você gosta, numa pedida só.
Más o problema é o pedido...

- Olá - diz o atendente da lanchonete – que vai querer?
- Um hambúrguer - diz você, confiante, determinado, resolvido.

Nesse momento um grande silêncio. O atendente está esperando, e você não percebe.
Então você repete, fazendo o melhor sotaque inglês possível:
- Um hambúrguer.

O atendente, treinado para não irritar-se, fica olhando para você, então, como a fila tem que andar, o atendente decide ajudar você:
- Hambúrguer simples ou duplo?

Então você responde: ah sim! Um hambúrguer!

O nariz do atendente fica dilatado, mas o treinamento não deixa que ele levante a voz:
- Sim claro, mas quantas carnes você quer? Uma, duas?
- Ah! Uma carne - você responde fazendo cara de esquecido.

Ele fica esperando. O olhar dele diz “O que mais, idiota!”, mas a boca dele diz, sorrindo de acordo com o treinamento: O que você quer junto com a carne? Queijo?
- Ah sim, queijo! - você responde prontamente.

Ele indaga: Queijo suíço ou queijo americano?
Então você responde o mais fácil, pois já percebeu que está fazendo papelão: queijo americano!

Entao você pensa que já passou a fase do queijo, você respira aliviado, até que o atendente pergunta:
Queijo cheddar?queijo americano amarelo? queijo americano branco?

Você responde o último queijo da lista: Americano branco! - porque nome dos outros queijos você já esqueceu (a esta altura você ficou com o cérebro de uma criança de 2 anos num corpo de quarenta, pela vergonha).

Você então nem olha para atrás, a fila está enorme. Os americanos aguardam pacientemente que você complete seu pedido. Ninguém vai abrir a boca, mas você sabe que a coisa está ficando feia, porque suas costas coçam, você sente um calor no cangote e um arrepio na nuca. Atrás de você há 14 americanos famintos esperando que você acabe de fazer seu pedido.

Então você acha que o atendente vai perguntar sobre a batatinhas fritas e o refrigerante e torce para que acabe a tortura.

O atendente então pergunta: Como você quer o bife?
Agora é o seu nariz que fica dilatado, e você não tem treinamento!

-Como assim? - Você pergunta com aquela cara de “que pergunta estúpida!”.

O atendente responde: Você quer o bife mal passado, médio passado, bem passado?
Entao que você percebe que a pergunta faz sentido e que a idiotice não está do lado do atendente. É por isto  que tem tanta gente comendo naquela lanchonete, onde o cliente é bem atendido, menos os que estão na sua fila, verdes de fome, esperando uma eternidade que “esse estrangeiro” termine o pedido. Um deles já ameaçou chamar a imigração!

Então você responde: quero o bife médio passado!
"Agora ele vai perguntar das batatas!" -  você pensa.
O atendente, muito bem treinado, pergunta: O Bife, você quer ele médio passado, com carne rosada no meio; ou médio passado-passado?

Nesta altura, você nem sabe do que o atendente está falando e você responde: “Yes, yes”.
E você foge do assunto do bife dizendo quase grosseiramente: Eu quero batatas fritas.

-Como quer as batatinhas? - Pergunta o atendente, que nesta altura decidiu divertir-se com você, e relaxou o nariz...já o seu nariz é que está para explodir a qualquer momento!

-Batatinhas regulares! você responde visivelmente irritado.

Ele pergunta novamente: Você quer as batatinhas enroladinhas ou à francesa?
à francesa, você responde por tabela.

Então o atendente entrega para você um copo de papel e uma plaquinha com um número, para você se servir o refrigerante e ir para a mesa, onde levarão seu lanche.

Com o copo na mão tremendo e a boca seca de nervoso, você vai para a máquina de servir refrigerante, 
"Eu quero Pepsi" você pensou caminhando para as máquinas de bebidas.

Quando olha as torneiras, tem plaquinhas indicadoras para você escolher: Pepsi regular, Pepsi Diet, Pepsi Regular descafeinada, Pepsi diet descafeinada, Pepsi sabor Cherry...o carma segue girando ao seu redor.

Finalmente, depois de ter servido qualquer uma das Pepsis, porque a fila dos americanos famintos do hambúrguer agora está atrás de você esperando para você se servir o refrigerante.

Então com o copo transbordante, espuma escorrendo entre os dedos, e a tampa do copo mal encaixada, você foge da multidão e se assenta numa mesa livre, perto da porta para fugir caso alguém queira tirar satisfaçao, e calado, fica aguardando o lanche.

A Pepsi tem sabor estranho, uma mistura de Cherry e Sacarina que lembra o xarope da tosse...

Finalmente seu lanche chega à mesa. O hambúrguer está acompanhado de dois sacos de batatas fritas, porque um saco de batatas estava incluído automáticamente, mas como você ficou falando das batatinhas, o atendente entendeu que você queria duas porções de batatinhas, alias muito comum entre os americanos.
Eu amo muito tudo isso!...


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Efeitos Colaterais do Brasil


Eu tenho meu coração profundamente amarrado ao Brasil, ao ponto que meus patrícios argentinos mal reconhecem minha argentinidade. Tudo bem, ela está escondida e reaparece a cada 4 anos na Copa.
Mas o Brasil transforma as pessoas para sempre. Qualquer ser humano que visita ou mora no Brasil terá sua vida marcada pelo A.B. e D.B. (Antes do Brasil e Depois de Brasil).
Eu não faço afirmações sem provas, portanto aqui tem os fundamentos da minha tese “Ninguém é o Mesmo Depois do Brasil”.

Caso # 1. Olga Benário Prestes. Assista o filme “Olga”, interpretado pela maravilhosa atriz brasileira Camila Morgado. Olga era uma revolucionária comunista que fez o diabo insurgindo-se na Alemanha e depois se tornou um quadro barra pesada na União Soviética, preparando agentes para a revolução. Ela atirou de canhão, comandou tanques de guerra, pulou de paraquedas atirando granadas, treinou milicias, em fim, era a rainha do cangaço comunista. Detrás das metralhadoras e canhões, ela era o terror das estepes russas. Finalmente ela foi designada para treinar Carlos Prestes para fazer a revolução comunista na Brasil.
A terrível camarada revolucionária Olga, capaz de aterrorizar a Europa, certamente não contava com os efeitos da pátria mãe gentil. Assim que chegou, viu as praias cariocas, o Pão de Açúcar, bebeu umas caipirinhas, ouviu umas serestas, e se apaixonou pelo Prestes. O coração de ferro comunista foi conquistado pela fala macia do jovem político brasileiro. Olga mudou tanto, que passou a torcer por uma escola de samba! Olga ficou apaixonada, feminina, tropical, sambista...depois de viver no Brasil...Cadê a revolução?

Caso # 2. Mikail Gorbachov, ex primeiro ministro da ex União Soviética. Depois de anos de Guerra Fria e fábulas de dinheiro gasto pela CIA, o Pentágono e todos os governos anti-comunistas do planeta, bastou uma visita do premier russo ao tropical Brasil, para ele voltar com algumas garrafas de 51 na mala para a gelada União Soviética e declarar a Perestroika. Num par de canetaços aboliu o império comunista, a KGB, a cortina de ferro, abrindo a Rússia para o capitalismo. Bastou ele visitar o Brasil...

Caso # 3. Bill Clinton. O presidente mais poderoso do planeta, criado numa sociedade protestante, puritana. Repare que o presidente americano é uma especie de pastor protestante, um super pastor.
Nas campanhas políticas, basta que um candidato seja associado a alguma conduta imoral para acabar sua carreira política. Alem do mais, ele é casado com a Hillary, uma mulher de temperamento forte. O Bill estava cercado pela opinião pública e marcado de perto por uma mulher jogo-duro. Ele sempre andou na linha...até que veio ao Brasil...depois daquela viajem à terra do carnaval...uma estagiária chamada Mónica e uns charutos puseram ao Bill nas manchetes mundiais. Ô Brasil!

Caso # 4. Sua Santidade João Paulo II. Um líder religioso imaculado, respeitado, admirado. A visita ao Brasil teria o ponto alto numa missa campal no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Um altar ao ar livre preparado para sua Santidade celebrar missa para 1 milhão de fieis. Lá estavam os bispos, os padres, as freiras, as escolas católicas, os fieis, os corais, todos observando com admiração e veneração ao Sumo Pontífice dos Católicos. Ele, avançado em idade, assentado numa cadeira numa posição destacada, ficava encurvado, apoiado no caiado pastoral, olhos fechados, ouvindo as músicas sacras. De repente uma voz feminina forte e sensual entoa o “Ave Maria”. O Pontífice abre os olhos, olha para a mulher que cantava, chama ao camarlengo e pergunta ao ouvido: “Quem é essa dama?”. O camarlengo responde discretamente: “Fafá de Belém”. O Papa e o camarlengo se olham e sorriem...e a exuberante Fafá não resiste o impulso, sobe as escadas e beija a mão do Papa, quebrando todos os protocolos religiosos e políticos. E o Papa esqueceu o cerimonial para abençoar a bela Fafá....o efeito Brasil em ação.


Adendo do Príncipe

O amigo Blogob me fez lembrar do caso # 5, a visita do Sua Alteza Real o Príncipe Carlos Filipe Artur Jorge (Charles Philip Arthur George), Príncipe de Gales e Conde de Chester, Duque da Cornualha, Duque de Rothesay, Conde de Carrick, Barão de Renfrew, Lorde das Ilhas, Príncipe e Grande Defensor da Escócia, Cavaleiro Associado à Nobilíssima Ordem da Jarreteira, Cavaleiro da Mais Antiga e Nobilíssima Ordem do Cardo-Selvagem, Grande Mestre e Primeiro e Principal Cavaleiro da Grande Cruz da Honorabilíssima Ordem do Banho, Membro da Ordem do Mérito, Cavaleiro da Ordem da Austrália, Membro da Ordem de Serviço da Rainha, Lorde do Conselho de Sua Honorabilíssima Majestade, Aide-de-Camp de Sua Majestade, também conhecido como o Príncipe Charles
Com esse nome todo, quando visitou o Brasil, tentou sambar só no sapatinho!


Ninguém é igual depois de haver estado no Brasil...ninguém.

Nota do Autor: "Se os fatos não confirmam sua teoria, mude os fatos". (Murphy)

sábado, 14 de agosto de 2010

Afogados numa montanha de tralha

Os americanos gostam de expressar seus sentimentos através de objetos mais que através de palavras faladas ou gestos explícitos. Aqui no meio-oeste a linguagem corporal é muito contida.

Mas se você reparar nas várias gôndolas de cartões de saudação do supermercado, descobrirá que tem cartões para todas as ocasiões: casamento, viuvez, separação, batizado, nascimento, morte, graduação de filho, de neto, de enteado, de sobrinho e de vizinho, cartão de agradecimento por ter sido convidado a uma festa e de agradecimento pelo cartão que alguém enviou. Um festival de cartões!

A mesma coisa acontece no dia de São Valentim. Cartões, flores, bombons, bandeirinhas, canecos estampados com coração vermelho, broches de lapela, bolachinhas com forma de coração e todo tipo de objeto capaz de expressar o amor e a paixão. Poucas palavras, poucos gestos faciais, poucos abraços, poucas carícias em público porém há muitos objetos para demostrar os sentimentos.

Talvez seja porque este pais foi constituído por muitos imigrantes que fugiram da fome e da escassez europeia. Os loiros irlandeses, alemães, holandeses e suecos de antes e os morenos mexicanos de hoje.
Será que o sofrimento causado pela escassez desperta nas pessoas o apego às coisas materiais?

Entre americanos, quando um homem pede uma mulher em casamento, o faz presenteando um anel de brilhantes. Ouvi dizer que o anel deve custar no mínimo 3 vezes o salário mensal do pretendente.
Os anéis são de brilhantes, diamantes e ouro branco ou platina, e custam a partir de 2 mil dólares.
Elas usam esse anel pomposo enquanto o casamento durar.
Lavam, limpam, fazem ginástica e trabalham usando o portentoso brilhante no dedo.
Elas não usam aliança de ouro, acham simples demais.
Os homens usam aliança de ouro parecida às que os brasileiros em geral usam.

Parece que palavras e gestos não são suficientes. Eles usam objetos para expressar sentimentos.

Agora apareceu o lado negro do hábito de apego às coisas: HOARDING, a compulsão de ajuntar tralha.
Hoarding significa “entesourar”, guardar como um tesouro. Neste caso o doente guarda tralha atribuindo-lhe valor.

O afeto aos objetos está chamando a atenção dos psicólogos, não por causa dos anéis descomunais, ou dos infinitos cartões impressos mas por cause das pessoas que silenciosamente guardam lixo em suas casas. 

Eles amontoam objetos nas garagens e cômodos das casas ao ponto de torna-las inabitáveis.


As garagens de muitos americanos não são usadas para guardar carros, mas para armazenar objetos. Pilhas de coisas se acumulam do chão até o teto. 

A maioria em desuso, inutilidades, tranqueiras, quinquilharias, trecos acumulados durante anos. Os pesquisadores descobriram que as pessoas tem laços afetivos com esses objetos e resistem a desfazer-se deles chegando ao ponto de virar uma doença compulsiva.

Este documentário é ilustrativo.
Trata-se de uma doença que precisa tratamento.

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